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Crise da pandemia coloca em risco varejo óptico baiano

LICIO FERREIRA – REPORTER

A pandemia do Coronavírus está colocando, em queda livre, o varejo óptico na Bahia. E a primeira vitima fatal da doença nesse setor de negócios foi a rede das Óticas Opção, com 15 anos no mercado baiano; oito (8) lojas distribuídas entre Salvador e Lauro de Freitas; e um laboratório próprio de lentes. Referência no segmento óptico, proporcionando saúde e bem-estar aos mais de 170 mil clientes e prezando pelas boas práticas do ramo óptico, a rede empregou 955 empregos diretos e fechou as portas com 62.

“Das 5 lojas da rede localizadas em Salvador, todas estão posicionadas dentro de Shopping Centers, os quais estão fechados desde o dia 21 de março, por determinação da Prefeitura de Salvador. As 3 lojas de Lauro de Freitas embora estivessem localizadas fora de centros comerciais, foram proibidas de atender clientes, seguindo orientações da Prefeitura local que proibiu abertura de estabelecimentos desse perfil de negócios, a partir do Decreto 4592 de 16 de março desse ano”.

Em comunicado, ao público, a família Souza (Elizabeth, Thiago e Laís) lamentam o fechamento da rede, dizendo que “os serviços das Óticas não foram enquadrados como essenciais pela Organização Mundial da Saúde (OMS), tampouco pelas prefeituras de Salvador e Lauro de Freitas”.E como “especialista em óculos de grau ligadas à compra de lentes oftálmicas, que exigem receita médica, a rede terminou prejudicada com fechamento ou redução do funcionamento de grande parte das clínicas e hospitais ligados a saúde dos olhos”.

Outra questão, também levantada pela empresa baiana, foi sobre os serviços de confecção de lentes oftálmicas em laboratórios localizados no Rio de Janeiro e São Paulo, que impactava no fornecimento de produtos e logística interestadual.” Existe, ainda, a atividade de atendimento dos clientes para compra de lentes e armações pois requer um contato físico direto (para ajustes das armações nos rostos) e indireto (como no uso do pupilômetro e outros equipamentos)”.

Afastar funcionários pode minimizar impactos

O baque no varejo óptico não é só na Bahia. Se estende por todo o Brasil e é muito grande. Muitas lojas estão fechando e a perda é geral. Agora, em 2020, o crescimento projetado era de 7%, seguindo a estimativa de 2,5% de crescimento da economia – PIB. e o Nordeste segundo maior mercado do setor, depois de São Paulo era só otimismo. Atual Diretora Presidente da Abióptica, Ambra Nobre Sinkoc diz: “Estamos vivendo um momento complexo tanto no campo da saúde como na economia que certamente trará impactos negativos em todos os setores e no setor óptico não será diferente, o setor óptico como um todo, e isso inclui o varejo, está sendo impactando negativamente, de forma muito forte, mas menos que outros setores devido a sua característica de essencialidade”.

Lembra Ambra Sinkoc que o setor óptico é um setor regulado por meio da vigilância sanitária e possui produtos de registro Agencia Nacional de Vigilancia Sanitaria (Anvisa). ”Ocorre que devido aos decretos de lockdown em alguns estados e municípios ainda não temos o varejo óptico autorizada abertura, mas nossos levantamentos demostram que o setor está funcionando a 46,6% da sua capacidade, comparado ao mês anterior ao início da pandemia e os decretos de quarentena”.

Para vencer o momento ela orienta os empresários do ramo “que todos se utilizem dos instrumentos legais publicados pelo governo federal, considerando a possibilidade de afastamento de funcionários com remuneração ou trabalho reduzido e remuneração parcial. Além do benefício da prorrogação de impostos e o acesso facilitado, mas não tão facilitado assim, dos empréstimos junto aos bancos”. E igual as demais lideranças do varejo, critica o crédito que ainda é muito caro para o empresário.

“Estamos acompanhando e orientando nossos associados sobre este tema. Com a publicação recente do decreto 13999/2020 o crédito deve ficar mais acessível e com custos (juros, risco, spread) menores, mas a operação com o agente (bancos de varejo) ainda é complexa. Estamos atentos e preocupados com estes recursos que a todo momento vemos liberações pelo governo federal, mas que nunca chegam a outra ponta, enquanto as empresas vão morrendo e o oxigênio, que parece estar disponível, não chega a tempo”.

Ambra Sinkoc reconhece que a pandemia trouxe muita dificuldade e novos paradigmas. “O empresário terá que se reinventar, ser inovador e criativo e isso, sem dúvida, são barreiras difíceis de transpor. Inevitavelmente teremos que passar pela digitalização sem “ferir” a regulamentação, afinal somos um setor com produtos de saúde e, portanto, regulamentado com práticas e técnicas absolutamente rigorosas para se aviar uma receita oftalmológica. A tecnologia e o relacionamento com o cliente serão fundamentais para a retomada do setor óptico”.

CUSTOS ALTOS

Por sua vez, a empresária baiana Veruska Pithon que estava comemorando a chegada da décima quarta loja da ótica “A Fábrica”, na cidade de Feira de Santana e pensava de maneira otimista em continuar expandindo seu raio de ação também para outras capitais do Nordeste, revela que a questão da pandemia está bem pior no eixo Rio -São Paulo.

Sua empresa, que une a expertise no ramo ótico oferecendo a mais alta tecnologia na produção de lentes oftálmicas, é a única rede de óticas da Bahia com laboratório digital completo. Quanto as dificuldades do setor, Veruska Pithon diz que ela começa a partir dos custos de operação para se manter uma loja nos shoppings centers. “Além desses altos custos, temos ainda pela frente, a alta competitividade das multinacionais e, principalmente, a presença dos informais e dos piratas, que invadem o nosso setor. Por isso, realizamos constantes promoções, que diminuem substancialmente as nossas margens de lucros”.

Sob a sua liderança estão 130 empregados distribuídos em 14 lojas. Veruska reconhece que a questão do varejo nesse momento, é muito difícil. “Eu estou com quase todas as lojas fechadas. Apenas a da Pituba, onde funciona o laboratório, continua aberta. Estamos principalmente, para atender pessoas que usam lente de contato e nessa pandemia precisam ter óculos para se proteger ainda mais contra o coronavírus. Afinal, a penetração da doença se dá pelos olhos, boca e nariz”, comenta.

Fonte: Jornal Tribuna da Bahia

 

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