Luxottica e Essilor anunciam fusão e criam ‘colosso’ mundial

NOVA YORK E MILÃO, 16 JAN (ANSA) – O grupo italiano Luxottica e o francês Essilor anunciaram hoje (16) uma fusão que dá origem a um colosso do setor de óculos que parece um casamento perfeito entre a fabricante mundial de armação e líder global de lentes. O “matrimônio” de 50 bilhões de euros gerará um fluxo de receitas de 14 bilhões de euros em vendas, em 150 países, e de 140 mil funcionários, além de ser considerada uma das maiores operações “cross border” da Europa. O executivo Leonardo Del Vecchio será o acionista majoritário, com 30%-38% das ações do novo grupo. Ele assumirá o posto de presidente-executivo da sociedade, enquanto o CEO da Essilor, Hubert Sagnieres, será o vice-presidente. A nova empresa ficará cotada em Nova York. A fusão tem capacidade de mudar a dinâmica da indústria de óculos, considerado um dos mercados com maior potencial de crescimento, com expectativa de alta de 2% até 2020, principalmente na Ásia. Das 7,3 bilhões de pessoas no mundo, 63% precisam usar lentes corretivas, mas apenas 1,9 bilhão já adquiriu óculos, lentes ou fez qualquer intervenção cirúrgica. Essilor e Luxottica já tinham pensado em um acordo há três anos, quando Sagnieres contatou o grupo italiano, mas as negociações não decolaram na ocasião. “Continuaremos investindo na Itália e na França, queremos ser um campeão europeu com fortes raízes”, disse Del Vecchio. “Sonhava com isso há 50 anos”, confessou. A italiana Luxottica é a dona da Ray Ban e da Oakley, e mantém o posto de maior fabricante de óculos de luxo do mundo. Já a francesa Essilor é a líder global em lentes de contato. (ANSA)

Verão predispõe ao terçol

Com a desaceleração da economia e fechamento de pontos, centros comerciais começam a substituir operações para garantir a rotatividade e rentabilidade dos empreendimentos São Paulo – Com a economia menos pujante, alguns shoppings já começam a mexer no mix de lojas para elevar o fluxo de clientes e as vendas. Mesmo com o índice de vacância ainda sob controle, entre 3,5% e 4% de janeiro a maio, os empreendimentos tentam equilibrar a oferta com marcas que atraiam mais consumidores. O Sonae Sierra Brasil – que administra dez centros de compras entre próprios e terceirizados e faz parte de um ranking com oito companhias do setor com capital aberto no País – acredita que a taxa de renovação no mix de lojas é reflexo de diversos fatores. Segundo o diretor de operações e leasing da empresa, Waldir Chao, o atual momento do mercado contribui para a saída de lojistas que tenham fraco desempenho e não consigam se manter, o que justamente permite acelerar a substituição de lojas conforme o planejamento dos empreendimentos em cada região. “Acredito que as tendências de consumo, o comportamento do consumidor e a reformulação de determinada área contribuam para a busca de novas opções de lojas, já que os produtos e serviços nos shoppings sempre têm objetivo de oferecer as melhores opções aos clientes”, ressalta. Na companhia, a substituição de mix de lojas no primeiro semestre em relação a 2014 foi de 10%. O Sonae não identificou segmentos com maior taxa de renovação e disse ter fechado o primeiro trimestre de 2015 com taxa de ocupação de 96,1%. Segundo a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), apesar da crise econômica, ainda estão previstas a abertura de 16 centros de compras no País neste ano. A perspectiva deve-se a manutenção do atual desempenho de espaços já estabelecidos, como Frei Caneca e Shopping Taboão. Mesmo afirmando ter mantido a ocupação de lojas, os estabelecimentos já trabalham em cima da rotatividade, que segundo informam, tem obedecido ao planejamento estratégico definido pelo empreendimento. Ou seja, conforme planos traçados desde 2013, há previsão de revitalização de todo o mix. O Frei Caneca afirma que substituiu operações que não atendiam à demanda do público. Com isso houve a entrada de nove lojas neste ano, frente às 32 entre 2013 e 2014. Em Área Bruta Locável (ABL), o shopping da capital paulista afirma que o índice de vacância do primeiro semestre segue no mesmo patamar do ano passado, com apenas 2,11% de área livre. Ocupação Paralelamente, uma pesquisa do IBGE Inteligência constata que, com relação aos empreendimentos que foram inaugurados entre 2013 e 2014, a ocupação chegava a 57% em janeiro de 2015. Em junho, o número chegava a 60%. O estudo foi feito com 38 centros. Com apenas um espaço de loja vazio, atualmente, o Shopping Taboão, administrado pelo grupo Aliansce é um empreendimento que tem passado por mudanças. Este ano, o local substituiu 11 operações – seis delas por outros segmentos. O superintendente do espaço, Carlos Alcântara diz, porém, que não existe uma escolha específica de substituição de mix. E concorda com o diretor do Sonae Sierra Brasil, Waldir Chao sobre os perfis das novas lojas: “As renovações dependem do desempenho, do trabalho das marcas e da avaliação dos consumidores”. Interior Apesar do baixo nível de espaços vazios nos centros apontado pelas grandes empresas e pela Abrasce, no interior paulista e no Rio de Janeiro a desaceleração da economia parece ter afetado vários lojistas. Muitos tiveram de fechar as portas. Um desses exemplos foi em Sorocaba, no interior de São Paulo. Nos últimos três anos, o município recebeu cinco shoppings. Conforme informações do mercado um dos empreendimentos, o Shopping Plaza Itavuvu (inaugurado em 2012), contava com a maioria das lojas fechadas em junho. Na praça de alimentação só o Burger King funcionava. No total, a cidade tem oito espaços de compra para atender a 630 mil moradores. A reportagem tentou, sem sucesso, entrar em contato. Ana Paula Silva Fonte: http://www.dci.com.br/comercio/shoppings-mudam-mix-de-lojas-para-elevar-o-fluxo-de-consumidores-id485945.html

Retomada das óticas fica para 2018 e setor deve se consolidar

Via Pedro Arbex Nos últimos três anos o setor de óticas ‘sangrou’ com a crise: mais de 3 mil pontos de venda foram fechados entre 2014 e 2016, e no ano passado a queda no faturamento bateu os 22%. Daqui para frente, no entanto, a tendência é de uma gradativa retomada, a partir de 2018, e de uma consolidação e profissionalização maior, com o avanço consistente das grandes redes. A avaliação é do presidente da Associação Brasileira da Indústria Óptica (Abióptica), Bento Alcoforado. “2017 será um ano de travessia, e a recuperação efetiva do setor deve começar apenas em 2018”, afirma. De acordo com ele, os resultados negativos amargados no ano passado e em 2015 (quando o setor retraiu 8,3%) estão ligados à instabilidade política e econômica, já que o histórico do ramo é positivo. “De 2006 a 2013 tivemos um crescimento médio anual de 18%. O potencial é muito grande e prova dessa pujança são os recentes movimentos de fusões e aquisições”, afirma, se referindo a aquisição da Óticas Carol maior varejista do ramo do País pelo grupo italiano Luxottica . A operação, que deve girar em torno de 110 milhões de euros, foi anunciada no final do mês passado e está sujeita a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Para Alcoforado, o movimento aponta para uma tendência que deve se acirrar nos próximos anos: a consolidação do setor. “De fato isso vai ocorrer, até porque o ramo hoje ainda é muito pulverizado e com uma concentração pequena”, afirma. Segundo ele, existem atualmente 23 mil pontos de venda. Desse total, as três maiores (Óticas Carol, Óticas Diniz , e Chilli Beans) representam apenas cerca de 12%. O diretor de Inteligência de Mercado do Grupo GS& Gouvêa de Souza, Eduardo Yamashita, acrescenta que a consolidação do setor de óticas é uma das mais baixas dentro do varejo. Segundo um estudo realizado pela consultoria, o nível de consolidação no setor de bens duráveis é de 51%, no de alimentação de 36%, enquanto no de óticas fica próximo de 15%. “É um mercado que tende a continuar se consolidando, tanto de maneira orgânica quanto por fusões e aquisições”, diz. De acordo com ele, outro movimento que deve se acirrar influenciado justamente pelo crescimento das grandes redes é a profissionalização das pequenas varejistas. Ele afirma que conforme as maiores vão expandindo e ganhando mercado, as lojas menores são obrigadas a melhorar sua produtividade e gestão. “A consolidação dos grandes grupos faz com que essas varejistas de menor porte tenham que correr atrás. As que não melhorarem sua profissionalização e seu nível de maturidade simplesmente vão morrer”, afirma Yamashita. Exemplo desse movimento, a ótica Santo Grau, que possui hoje duas unidades em Santo André (SP), iniciou este ano a expansão através do franchising e investiu recentemente na melhoria do atendimento e da gestão. “Vimos que precisávamos crescer para disputar uma fatia desse mercado. As dificuldades quando você é pequena são muito maiores”, afirma o sócio-fundador da companhia, Ricardo Aggio. Assim como Yamashita ele também diz que o setor caminha para uma profissionalização maior.“O mercado está mudando muito e aquelas óticas que não se profissionalizarem ou vão ser incorporadas por alguma rede ou vão fechar as portas”, diz. Os planos da varejista para este ano ainda são tímidos e a expectativa é abrir duas franquias. Até 2021, no entanto, a rede vislumbra um universo de cerca de 51 unidades por meio do modelo. A rede de Óticas Mercadão dos Óculos, que possui hoje 113 lojas espalhadas pelo Brasil, também busca ganhar ainda mais espaço dentro desse mercado. De acordo com o diretor de expansão da rede, Gustavo Freitas, a intenção da empresa é fechar este ano com pelo menos 220 operações. Segundo ele, a companhia viu no ano passado uma alta de 15% no faturamento médio por unidade e espera manter a mesma taxa para 2017. Freitas explica que um dos principais fatores que contribuiu para o desempenho bom da rede foi o foco em produtos com um tíquete médio menor. “95% das nossas vendas são de itens de marca própria. Isso nos ajuda porque o custo é menos oneroso, e conseguimos baratear bastante os produtos”, afirma. Para isso, ele conta que a empresa possui uma fábrica própria e mais duas “fábricas associadas fora do País.” A rede Santo Grau também aposta nos produtos de marca própria e, segundo Aggio, a categoria representa cerca de 60% das vendas totais das duas lojas. De acordo ele, o ideal seria trabalhar com um percentual maior de marcas próprias, pelos custos menores. “Para trabalharmos só com a categoria nossa marca teria que ser mais forte. Por enquanto não é possível”, afirma. De acordo com o diretor de marketing da Grandvision By Fototica, Murillo Piotrovski, a rede tem investido forte em marcas exclusivas “para ampliar o seu portfólio e a oferta para os consumidores, que estão cada vez mais exigentes”. A rede possui hoje cerca de 100 operações. No ano passado, conta Piotrovski, a rede iniciou a expansão através de franquias e abriu 17 novas unidades. Para este ano, ele afirma que a expectativa da companhia é fortalecer ainda mais a presença em cidades onde a empresa já possui lojas.

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