O jogo mudou no varejo óptico!

O jogo mudou no varejo óptico

Durante muitos anos, a lógica do varejo parecia bastante objetiva: aumentar o fluxo de clientes, vender mais unidades e fazer o faturamento crescer. Quanto maior o volume, melhor o resultado. As equipes eram treinadas para vender, as campanhas buscavam atrair pessoas para as lojas e as promoções ajudavam a acelerar esse processo. Só que o jogo mudou! Hoje, vender mais a qualquer custo pode significar faturar e, ainda assim, não ganhar dinheiro. Pode significar comprometer margem, acostumar o consumidor ao desconto e conquistar um cliente que nunca mais voltará. E não podemos atribuir essa mudança apenas ao desempenho da economia brasileira. É evidente que os juros, a inflação, o crédito e o comprometimento da renda das famílias afetam o consumo. O consumidor está mais cuidadoso e pensa mais antes de gastar. Mas há algo maior acontecendo: sua forma de escolher, comprar e se relacionar com as empresas também mudou. Ele pesquisa antes de entrar na loja, compara preços, consulta avaliações, acompanha as redes sociais e observa a reputação da empresa. Chega mais informado, com mais alternativas e menos disposição para aceitar um atendimento superficial. Além disso, uma ótica não concorre somente com outra ótica. Concorre com o comércio eletrônico, com produtos importados e também com todas as outras escolhas que disputam o orçamento do consumidor: viagens, eletrônicos, estética, lazer e serviços. Portanto, o desafio já não é apenas vender óculos. É fazer o cliente entender por que deve escolher aquela ótica, naquele momento, e não qualquer outra possibilidade de consumo. Atrair, vender e reter Atrair um cliente ficou mais difícil e mais caro. Exige investimento em comunicação, presença digital, conteúdo, equipe, exposição de produtos e reputação. O problema é que muitas empresas fazem todo esse esforço para atrair o consumidor e encerram o relacionamento assim que o pagamento é aprovado. Entregam os óculos e esperam que, um dia, ele se lembre de voltar. Isso não é estratégia de retenção. É torcida. O varejo óptico possui uma vantagem enorme: conhece o cliente. Sabe o que ele comprou, qual é sua necessidade visual, quais produtos utiliza e, muitas vezes, suas preferências estéticas e seus hábitos. Poucos segmentos dispõem de tantas informações para construir uma relação de longo prazo. Mesmo assim, ainda tratamos muitas vendas como episódios isolados. Reter não significa bombardear o cliente com mensagens ou promoções. Significa manter uma relação útil. Acompanhar sua adaptação, oferecer manutenção, lembrar o momento de revisar a visão e apresentar soluções que realmente façam sentido para a sua rotina. Relacionamento não é insistência. É relevância. Cordialidade deixou de ser diferencial. Atender bem é uma obrigação. Receber o cliente com educação, oferecer um café e ser gentil são cuidados importantes, mas já não bastam para diferenciar uma empresa. No varejo óptico, precisamos de profissionais capazes de compreender a necessidade do consumidor e orientá-lo com segurança. Isso pressupõe conhecimento sobre lentes, materiais, tratamentos, armações, conforto, estética e estilo de vida. O cliente não precisa apenas ouvir que determinada lente é melhor. Ele precisa entender por que ela é mais adequada para quem trabalha diante de telas, dirige à noite, pratica esportes ou passa muitas horas em ambientes fechados. Da mesma forma, não basta afirmar que uma armação ficou bonita. É necessário avaliar conforto, proporção, resistência, personalidade e adequação ao uso. Quando o profissional somente apresenta produtos, a comparação acontece pelo preço. Quando entrega conhecimento e segurança, o cliente passa a perceber valor. Essa é a diferença entre tirar um pedido e fazer uma venda de verdade. O desconto não pode sustentar o negócio. Em um cenário mais desafiador, recorrer às promoções parece uma solução rápida. Elas podem, sim, ter uma função comercial. O problema começa quando o desconto deixa de ser uma estratégia pontual e se transforma no principal argumento de venda. Se tudo termina em preço, o consumidor aprende a esperar a próxima promoção. A empresa pode vender mais, mas perde margem, posicionamento e capacidade de investir. Cada ótica precisa responder com clareza a uma pergunta básica: por que o cliente deveria comprar aqui? Pela especialização técnica? Pela curadoria de produtos? Pela variedade? Pela conveniência? Pela agilidade? Pelo atendimento? Pelo pós-venda? Se a empresa não sabe qual é o seu diferencial, não será o consumidor que irá descobri-lo. Preço importa, evidentemente. Mas confiança, segurança, atendimento e conveniência também têm valor. Principalmente em um setor que reúne saúde visual, tecnologia, moda, estética e identidade pessoal. A venda não pode terminar no caixa! Precisamos rever a jornada completa do cliente. Como ele conhece a loja? O que encontra quando chega? A equipe compreende sua necessidade ou apenas apresenta produtos? A recomendação é personalizada? O prazo prometido é cumprido? Alguém entra em contato depois da entrega? A empresa sabe quando esse cliente deveria voltar? Essas perguntas parecem simples, mas as respostas revelam a maturidade do negócio. Também precisamos ampliar os indicadores. Faturamento é importante, mas não conta toda a história. É necessário acompanhar conversão, tíquete médio, margem, recompra, indicações, satisfação e retorno dos clientes. O faturamento mostra quanto a empresa vendeu. A recorrência mostra o valor que conseguiu construir. O varejo óptico brasileiro tem competência, capilaridade e enorme potencial. Mas precisa abandonar a ideia de que crescer significa apenas colocar mais pessoas dentro das lojas e vender mais unidades. No novo varejo, resultado sustentável depende de atrair o cliente certo, oferecer uma boa experiência, vender com margem e criar razões concretas para que ele volte. Vender uma vez gera faturamento. Fazer o cliente voltar constrói uma empresa. Ambra Nobre Sinkoc – Diretora Executiva ABIÓPTICA Fonte: Abióptica Sobre Abióptica A Abióptica – Associação Brasileira da Indústria Óptica atua desde 1997 como representante do segmento óptico brasileiro. São mais de 250 empresas associadas que respondem por mais de 95% do mercado das marcas comercializadas no país. Um dos principais objetivos da Abióptica é promover a união da indústria e varejo, fortalecendo a defesa dos interesses do consumidor e do setor.

Setor óptico recua 11% em julho desse ano com relação ao ano passado

Setor óptico recua 11% julho 2026

Faturamento total no mês chegou a R$ 2,15 bilhões e Abióptica acredita que setor em 2026 deverá crescer 2,9% sobre o ano anterior; Na comparação com junho de 2026 o mercado apresentou crescimento de 3% O setor óptico brasileiro recuou 11% em julho desse ano com relação ao resultado registrado no mesmo mês de 2025. No mês as vendas chegaram a R$ 2,15 bilhões. Em comparação a junho desse ano, o mercado registrou crescimento de 3%. Para a Abióptica, o ano poderá registrar 2,9% de crescimento sobre 2025. A entidade trabalha com três cenários prováveis para o resultado de 2026. A previsão de 2,9% está no chamado cenário-base, o que representa faturamento de R$ 28,77 bilhões. “A curva positiva do desempenho do setor, anotada na variação de julho sobre junho, não é forte o suficiente para sustentar uma previsão otimista porém tem mostrado consistência e por isso a entidade entende que o balanço poderá ficar nessa faixa intermediária”, explica Ambra Nobre Sinkoc, diretora Executiva da Abióptica. Os demais cenários estimados pela entidade são o conservador, onde o crescimento seria de 1,8% e as vendas de R$ 28,47 bilhões; e o otimista, com variação positiva de 3,9% e vendas de R$ 29,07 bilhões. O cenário econômico atual, aponta a executiva, tem sido desafiador para os empresários do setor de varejo.  “O consumidor está mais cauteloso, evitando se endividar ainda mais o que gera desaceleração da atividade”, explica Ambra que completa: “Outro fator nocivo ao nosso mercado tem sido a concorrência de produtos ilegais e piratas que nos subtraem vendas anuais de aproximadamente 53 milhões de produtos, gerando perda de arrecadação, risco à saúde visual e redução de empregos formais”. O setor óptico emprega mais 190 mil pessoas em 71.226 pontos de venda. Por ano são vendidos 106,5 milhões de óculos no Brasil, sendo, de acordo com levantamento do FNPC – Fórum Nacional contra a Pirataria e a Ilegalidade, metade desse volume de produtos falsificados e de origem ilegal. Isso representa uma perda bilionária para as empresas e a receita federal. Informações à imprensa: Fernando [email protected] Fonte: Abióptica Sobre Abióptica A Abióptica – Associação Brasileira da Indústria Óptica atua desde 1997 como representante do segmento óptico brasileiro. São mais de 250 empresas associadas que respondem por mais de 95% do mercado das marcas comercializadas no país. Um dos principais objetivos da Abióptica é promover a união da indústria e varejo, fortalecendo a defesa dos interesses do consumidor e do setor.

DO DIA DA INDEPENDÊNCIA AO DIA DA DEPENDÊNCIA

DO DIA DA INDEPENDÊNCIA AO DIA DA DEPENDÊNCIA

Coalizão Prospera Brasil critica sanção de texto aprovado pelo Congresso e alerta para aumento da desigualdade competitiva entre produtos nacionais e importados A Coalizão Prospera Brasil, formada por 25 entidades representativas da indústria, do varejo e dos trabalhadores, manifestou preocupação com a sanção do texto aprovado pelo Congresso Nacional para a Medida Provisória nº 1.357/2026. Segundo o grupo, a medida amplia as vantagens tributárias concedidas às pequenas encomendas internacionais e pode favorecer a substituição da produção brasileira por produtos importados, especialmente os comercializados por plataformas asiáticas. Em pronunciamento divulgado após a decisão, a coalizão classificou simbolicamente o momento como um “Dia da Dependência”, em contraposição às recentes celebrações do Dia da Independência. A avaliação das entidades é de que o tratamento tributário concedido às compras internacionais não oferece condições equivalentes às enfrentadas pelas empresas que produzem e comercializam mercadorias no Brasil. O documento também critica a velocidade da tramitação da matéria na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. Para as entidades, uma decisão com potenciais reflexos sobre milhões de empregos, milhares de empresas e famílias brasileiras deveria ter sido precedida de discussão mais aprofundada e de uma análise ampla dos impactos sobre a atividade produtiva nacional. A Coalizão Prospera Brasil argumenta que indústria e varejo nacionais já enfrentam um cenário competitivo desfavorável, marcado por juros elevados, complexidade tributária, problemas de infraestrutura, encargos regulatórios e custos de produção. Ao mesmo tempo, segundo o pronunciamento, grandes plataformas e produtores asiáticos operam com vantagens relacionadas à escala, subsídios, incentivos e capacidade produtiva excedente. Na avaliação das entidades, a sanção não cria esse desequilíbrio, mas pode aprofundá-lo. O documento aponta como sinais desse cenário a queda da produção nos segmentos têxtil e de confecção, a redução dos empregos formais e o avanço das importações no mercado brasileiro. O posicionamento ressalta que a mobilização não representa oposição ao comércio eletrônico, à tecnologia ou às plataformas internacionais. A reivindicação central é pela adoção de condições tributárias, regulatórias e de fiscalização equivalentes para empresas nacionais e estrangeiras que comercializam produtos para consumidores brasileiros. A coalizão também relaciona a defesa da produção nacional à manutenção do emprego e da renda. O argumento apresentado é de que a perda de postos de trabalho afeta não apenas a capacidade produtiva do país, mas também o consumo, já que trabalhadores desempregados passam a contar com menor renda disponível. O pronunciamento afirma ainda que a independência econômica depende da preservação da capacidade produtiva brasileira e critica um modelo baseado na substituição de fábricas por estruturas logísticas, da produção nacional pelas importações e dos empregos brasileiros por postos de trabalho gerados no exterior. Apesar da derrota durante a votação no Congresso, as entidades afirmam que continuarão atuando em defesa da produção, do empreendedorismo, do trabalho e do consumidor brasileiros, com foco na busca por condições mais equilibradas de concorrência no mercado nacional. A Coalizão Prospera Brasil reúne 25 entidades, entre elas associações dos setores calçadista, têxtil, óptico, farmacêutico, varejista e de shopping centers, além de sindicatos industriais e organizações representativas dos trabalhadores. A relação apresentada no documento inclui Abicalçados, Abit, Abvtex, Abióptica, Assintecal, Abrafarma, Abrasce, CNDL, IDV e UGT, entre outras organizações. Fonte: Abióptica Sobre Abióptica A Abióptica – Associação Brasileira da Indústria Óptica atua desde 1997 como representante do segmento óptico brasileiro. São mais de 250 empresas associadas que respondem por mais de 95% do mercado das marcas comercializadas no país. Um dos principais objetivos da Abióptica é promover a união da indústria e varejo, fortalecendo a defesa dos interesses do consumidor e do setor.

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