Neste fim de semana, resolvi dedicar um tempo a algo de que gosto muito: observar o varejo.
Visitei dois espaços bastante diferentes em São Paulo: a nova flagship da Riachuelo, na Rua Oscar Freire, e o CJ Fashion, no Shopping Cidade Jardim.
Dois universos, propostas distintas e muitas reflexões que trouxe comigo.
Na Riachuelo, encontrei uma proposta que valoriza a identidade da marca, a brasilidade e a moda apresentada de uma maneira que vai além das araras. Há uma intenção de contar histórias, construir uma atmosfera e aproximar o consumidor daquele universo.
Já no CJ Fashion, a experiência segue outro caminho. A curadoria, a ambientação, a composição dos espaços e a valorização dos detalhes luxuosos ajudam a construir uma percepção de exclusividade.
Não se trata de comparar quem faz melhor. São modelos e públicos diferentes.
O interessante é perceber como cada um, à sua maneira, trabalha a experiência de compra.
E o que tudo isso tem a ver com o varejo óptico?
Na minha percepção, muito!
O primeiro aprendizado é que a loja também comunica. Sua arquitetura, iluminação, organização, exposição dos produtos e até os espaços vazios transmitem mensagens sobre a marca e o valor daquilo que ela oferece.
O segundo é que curadoria não significa necessariamente ter mais ou menos produtos, mas saber apresentá-los. Uma seleção bem construída pode despertar interesse, facilitar escolhas e valorizar aquilo que merece destaque.
O terceiro é que a experiência precisa ser coerente com o posicionamento. Não é necessário transformar toda ótica em uma loja de luxo. É necessário compreender seu público e construir uma experiência que faça sentido para ele.
E há algo que considero especialmente importante: o consumidor mudou. Ele circula por diferentes ambientes, conhece novas propostas de varejo e leva essas referências consigo quando entra em uma ótica.
Nossa concorrência pela atenção e pelo desejo do consumidor não acontece apenas dentro do setor óptico. Acontece também na comparação, muitas vezes inconsciente, com todas as outras experiências de compra que ele vive.
Saí dessas visitas pensando em quantas oportunidades existem para tornar nossas óticas mais interessantes, acolhedoras, desejáveis e memoráveis.
Porque vender um bom produto continua sendo fundamental. Mas a maneira como ele é apresentado, descoberto, experimentado e escolhido também faz parte do seu valor.
Deixo uma provocação ao varejo óptico:
Quando o consumidor entra na sua ótica, ele encontra apenas uma boa exposição de óculos ou vive uma experiência que desperta desejo, cria conexão e dá vontade de voltar?
Ambra Nobre Sinkoc – Diretora Executiva da ABIÓPTICA
Fonte: Abióptica
Sobre Abióptica
A Abióptica – Associação Brasileira da Indústria Óptica atua desde 1997 como representante do segmento óptico brasileiro. São mais de 250 empresas associadas que respondem por mais de 95% do mercado das marcas comercializadas no país. Um dos principais objetivos da Abióptica é promover a união da indústria e varejo, fortalecendo a defesa dos interesses do consumidor e do setor.













