Impacto no setor, formado em sua maioria por pequenos negócios, poderá ser de aumento de custos de mão de obra da ordem de 25%
A discussão sobre o fim da escala 6×1 traz para o centro do debate um tema legítimo e importante: a busca por melhores condições de trabalho e maior qualidade de vida para os trabalhadores brasileiros.
Entendemos, no entanto, que uma mudança dessa dimensão não pode ser analisada de forma isolada ou conduzida de maneira apressada. Estamos falando de uma alteração estrutural nas relações de trabalho, com impactos diretos sobre empresas, trabalhadores, geração de empregos, custos operacionais, produtividade e, consequentemente, sobre toda a economia.
No setor óptico, essa reflexão merece atenção especial. Temos uma cadeia formada majoritariamente por micro e pequenas empresas, além de milhares de estabelecimentos comerciais que operam em ruas, centros comerciais e shopping centers, com jornadas de funcionamento que incluem noites, finais de semana e feriados.
Estudos realizados pela Abióptica indicam que, no varejo óptico, inclusive nas lojas localizadas em shopping centers, uma eventual alteração da escala nos moldes atualmente discutidos poderá representar um aumento de aproximadamente 25% nos custos com mão de obra. É um impacto extremamente relevante para um setor formado, em grande parte, por pequenos negócios e que já opera sob forte pressão de custos e margens.
Esse dado demonstra por que qualquer mudança precisa considerar as particularidades de cada atividade econômica. Uma redução de jornada que não venha acompanhada de mecanismos de adaptação poderá exigir ampliação significativa das equipes apenas para que as empresas consigam manter os mesmos horários de atendimento e funcionamento.
Defender melhores condições para o trabalhador não pode significar colocar em risco a sustentabilidade das empresas que geram esses empregos. Da mesma maneira, preservar a competitividade das empresas não pode significar ignorar as transformações nas relações de trabalho e as legítimas expectativas das pessoas por maior equilíbrio entre vida profissional e pessoal. É justamente por isso que esse debate precisa fugir de posições simplistas.
Acredito que o caminho mais responsável passa pelo diálogo entre trabalhadores, empresas, entidades representativas e poder público, considerando as diferentes realidades econômicas e setoriais do país. Setores distintos possuem necessidades distintas, e a legislação precisa permitir flexibilidade para que jornadas e escalas possam ser construídas de maneira adequada a cada atividade.
Também consideramos fundamental que qualquer eventual mudança seja implementada de forma gradual, com período de transição, previsibilidade e segurança jurídica. Uma transformação dessa magnitude precisa permitir que as empresas reorganizem suas operações, revejam processos, invistam em produtividade e se adaptem sem comprometer empregos ou sua própria sustentabilidade.
Mais do que simplesmente discutir o fim de uma escala, precisamos discutir como tornar o trabalho no Brasil mais produtivo, moderno e equilibrado. Países que conseguiram reduzir jornadas de forma sustentável fizeram esse movimento acompanhado de ganhos de produtividade, qualificação profissional, tecnologia e novas formas de organização do trabalho.
A Abióptica entende que avanços nas relações de trabalho são importantes e necessários, mas devem ser construídos com responsabilidade e visão de longo prazo. Precisamos encontrar uma solução que concilie qualidade de vida, produtividade, competitividade das empresas e preservação dos empregos.
Esse equilíbrio é possível. Mas ele exige diálogo, conhecimento da realidade de cada setor e, sobretudo, responsabilidade para que uma mudança criada com o objetivo de melhorar a vida das pessoas não produza, como consequência indesejada, redução de oportunidades de trabalho e maior fragilidade para quem empreende e gera empregos no Brasil. Ambra Nobre Sinkoc – diretora Executiva e presidente Estatutária da Abióptica
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Fonte: Abióptica
Sobre Abióptica
A Abióptica – Associação Brasileira da Indústria Óptica atua desde 1997 como representante do segmento óptico brasileiro. São mais de 250 empresas associadas que respondem por mais de 95% do mercado das marcas comercializadas no país. Um dos principais objetivos da Abióptica é promover a união da indústria e varejo, fortalecendo a defesa dos interesses do consumidor e do setor.













